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- Atualizado em 15/07/20 às 17h06

Soteropolitano é selecionado para representar a Bahia em 7ª edição de prêmio de artes

Prêmio busca mapear e divulgar trabalho de jovens artistas brasileiros

(Foto: Davi Caramelo/divulgação)

Paloma Teixeira
redacao@varelanoticias.com.br

Entre 456 inscritos, o soteropolitano Felipe Rezende, de 26 anos, foi um dos dez artistas selecionados para a sétima edição do Prêmio EDP nas Artes. A iniciativa do Instituto Tomie Ohtake e a EDP, com o apoio do Instituto EDP, busca mapear e divulgar o trabalho de jovens artistas brasileiros.

Assinando o trabalho ‘Linha Negra em Horizonte Interrompido’, o baiano, que se formou em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), em 2019, vê com grande responsabilidade a oportunidade de participar do evento.

“O prêmio é muito importante confere essa visibilidade de mapear esses jovens talentos. Sabendo que Salvador tem tanto artista talentoso, eu quando recebi fiquei muito surpreso. Dá uma animada na produção. É um grande incentivo poder participar de propostas desse tipo e eu estou muito animado e bastante ansioso”, conta em entrevista ao Varela Notícias.

Série Ladeira da Fonte (Foto: Felipe Rezende/divulgação)

O trabalho vencedor da seleção nasceu da série ‘Ladeira da Fonte’, que foi a primeira exposição individual de Rezende. Exposto no ano passado, o trabalho foi apresentado no espaço independente Mouraria 53, em Salvador, e utilizava instalações e objetos, em sua maioria detritos de obras colhidos pelas ruas da capital baiana. Em seguida, o ‘Linha Negra em Horizonte Interrompido’ passou a ser desenvolvido.

Ao longo do tempo e durante a criação de uma maquete de Salvador, o artista relembra que passou a dialogar diretamente com trabalhadores da construção civil, além de incluir os detritos colhidos, desenhá-los e também pintá-los. Os materiais, como explica Felipe, serviram de suporte para a criação da narrativa.

“Nesse suporte eu estava diretamente em contato exatamente com a ponta de lança que são os agentes da transformação material da realidade que cerca a gente. (…) Esses materiais servem de suporte para a narrativa e através deles eu consigo esse jogo entre a própria singularidade do material e que traduz uma certa individualidade, um certo peso, uma correlação de forças com toda essa realidade urbana de Salvador e ao mesmo tempo eu consigo imprimir um certo onirismo nisso. então quando eu fui construir o projeto e uma série nova e eu comecei a abranger esse leque”, explica ao VN.

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Trabalho Linha Negra em Horizonte Interrompido (Foto: Felipe Rezende/divulgação)

Para Felipe, o ambiente de troca entre ele, outros artistas parceiros e também com a própria capital foi responsável para trazer a inspiração. De acordo com ele, “as coisas se movem juntas” e representar a Bahia em um evento como o Prêmio EDP nas Artes serve ainda de incentivo para amigos artistas.

“Acho que a gente está sempre trocando. Dentro dessas limitações acaba acontecendo esse incentivo, essa influência, esse ambiente de troca. A gente é muito fruto do meio que a gente vive. Então acho que através desse contato a gente vai formando esse caldo de cultivo que vai levando a gente para outros lugares”, frisa.

“Quando a gente tem esse reconhecimento para participar de uma exposição como essa ou quando um amigo fala conosco a gente começa a ter algumas referências. Eu nunca gosto de dizer que eu tenho certeza, eu tenho muitas dúvidas, mas acho que essas dúvidas são o grande barato das coisas”, finaliza.

O Prêmio

Os trabalhos dos 10 artistas selecionados serão expostos no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e três deles serão premiados com residências internacionais. A previsão é que o evento ocorra em 1º de outubro, contudo, a data só será confirmada a depender das orientações sanitárias e governamentais de controle à pandemia do novo coronavírus.

Voltado para estimular a produção artística contemporânea, o Prêmio EDP nas Artes é dedicado a jovens artistas de todo o Brasil, nascidos ou residentes no país há pelo menos dois anos, com idade entre 18 e 29 anos. A iniciativa, além da premiação, contempla uma série de atividades ao longo do ano, como cursos, palestras, lives e workshops em regiões brasileiras onde o acesso à arte contemporânea é mais restrito.



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