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- Atualizado em 30/07/20 às 20h17

Policiais Civis dizem que estão proibidos de realizar testes para Covid-19 nas delegacias

Servidores vinham sendo testados nos locais de trabalho por iniciativa do Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindpoc)

(Foto: Alberto Maraux/SSP-BA)

Edvaldo Sales*
redacao@varelanoticias.com

Os policiais civis da Bahia foram surpreendidos, na última quarta-feira (29), com uma determinação que os proíbem de realizar testes para a Covid-19 nas dependências das delegacias. Até então, os servidores vinham sendo testados nos locais de trabalho por iniciativa do Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindpoc) em parceria com o Planserv. 

O comunicado não explica o motivo da suspensão do exame. “O Departamento de Polícia Civil do Interior, atendendo a deliberação superior, fica deliberado que não será permitido o uso da unidade como local para realização do exame da Covid-19”, diz. 

Conforme informações do sindicato da categoria, na última segunda-feira (27), já tinham sido contaminados quase 400 policiais civis e registradas seis mortes.

A equipe de reportagem do Varela Notícias conversou com Fábio Daniel Lordello Vasconcelos, que é o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado da Bahia (ADPEB), sobre a proibição. De acordo com ele, o comunicado foi feito de forma oficioso, pelo WhatsApp, através da diretoria do Departamento de Polícia do Interior (Depin) e da Diretoria da Polícia Metropolitana (Depom) aos delegados, que tomaram como surpresa, assim como todos os servidores. 

Mensagem encaminhada aos delegados. Foto: Reprodução

“Já estava sendo um trabalho muito bem realizado pelas entidades de classe, nós temos investido muito dentro das nossas forças econômicas para possibilitar melhor proteção a esses servidores, já que eles estão completamente abandonados pela gestão da Polícia Civil e pelo governo do estado. Essa é a grande realidade”, disse.

Ele destaca que esses exames estavam sendo realizados justamente para dar maior proteção aos associados e, principalmente, à sociedade que vai até a delegacia e que pode ser contaminada diante de um protocolo de segurança mal feito. “ É o que está acontecendo”.

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Segundo Fábio, a proibição aconteceu porque eles estavam identificando o nível de infecção. “As unidades policiais estão funcionando no improviso, sem desinfecção, sem um material necessário de higienização como um todo, e também de proteção individual. Esses exames estavam sendo feitos para a proteção maior. Então veio a proibição, nós não temos a resposta oficial ainda, mas nós presumimos, e é o entendimento de todos os policiais civis, que estamos identificando o nível de infecção e isso estava desagradando a gestão”.

Além disso, ele destaca que estão primando pela transparência nesse momento de pandemia. “No momento em que esses servidores, por força constitucional, são obrigados a trabalhar, sabemos de nossas responsabilidades no que tange a investigação criminal e no atendimento à população”.

Ele continua: “Isso tudo causou muito perplexidade a todos os policiais civis da Bahia. Até porque o custo dessa operação para o estado e para a Polícia Civil era zero, porque tudo estava sendo feito, principalmente, pelo Sindicato dos Policiais Civis e Escrivães do Estado da Bahia. É um absurdo!”.

O VN falou falou também com o presidente do Sindpoc, Eustácio Lopes. Ele destacou os casos positivados em algumas delegacias de Salvador: Central de Flagrantes com 8; Delegacia de Repressão a Furto e Roubo de Veículos com 6; 9ª Delegacia da Boca do Rio com 15 e 12ª Delegacia de Itapuã com 15. Já na Delegacia Territorial de Camaçari, na região metropolitana, são 26.

Eustácio afirma também que o comunicado foi feito a mando do gestor da Polícia Civil, o delegado Bernardino Brito Filho. “Entendemos que isso foi um ato criminoso, um ato de evitar que os policiais civis positivados solicitem afastamento das suas atividades. Então o intuito da gestão foi evitar que as delegacias tenha uma redução de policiais”.

O VN procurou a assessoria de imprensa da Polícia Civil da Bahia, e a informação passada foi a de que não há proibição para realização de testagens em unidades da Instituição. A nota diz que a orientação para não realizar os procedimentos nas delegacias baseia-se em recomendações técnicas do Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Estaduais (Planserv). 



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