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- Atualizado em 20/01/21 às 18h08

Em Salvador, empresa adultera idade de idosos para burlar sistema de empréstimos

Caso pode se encaixar no crime de estelionato, falsidade ideoógica e inserção de dados falsos em sistema de informações

Foto: Reprodução / Google Maps

Luiz San Martin e Carolina Papa
redacao@varelanoticias.com.br

O Varela Notícias investigou ao longo das últimas semanas um esquema de fraude de empréstimos para aposentados e pensionistas no Centro de Salvador. A reportagem apurou que diariamente são ofertados valores para idosos com a faixa etária acima do permitido através de uma espécie de adulteração de idade, ‘driblando’ regras bancárias e conseguindo a liberação do montante.

Normalmente, pessoas com idade acima dos 75 anos não conseguem solicitar empréstimos bancários, pois as instituições financeiras acreditam que o cidadão não terá ‘tempo de vida’ suficiente para pagar o valor concedido. No entanto, em uma casa de empréstimos localizada na região do Shopping Baixa dos Sapateiros, em Salvador, um funcionário garante a concessão do dinheiro.

“Até 75 faz normalmente, qualquer banco faz, temos todo um roteiro a seguir, passou disso já sai do roteiro e vai depender do contato”, disse o funcionário. De acordo com o consultor local, o contato citado seria o responsável por ‘mexer os pauzinhos’ e conseguir a liberação em 24 horas de idosos com mais de 75 anos.

“Entrando em um acordo e vocês dizendo que sim, a gente pega a documentação, mandamos para o contato que a gente tem, por que nessa idade [mais de 75 anos] não se faz normalmente, tem um tramite para fazer, a gente vai mandar para o contato que a gente tem e ele dá 24 horas para dizer se paga ou se não paga”, explica o rapaz.

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Ainda de acordo com o funcionário, a margem de aceitação dos bancos nesses casos é de 60%. “De 10 pessoas, seis passam”, garantiu. Após ser aprovada, a mensalidade do empréstimo passa a ser descontada diretamente no contracheque da aposentadoria. Em troca da aprovação do empréstimo, o consultor fica com uma parte do valor liberado.

O caso pode se encaixar no crime de estelionato, disposto no art. 171 do Código Penal, falsidade ideológica, disposto no art. 299 do Código Penal e inserção de dados falsos em sistema de informações, disposto no art. 313-A do Código Penal.

A reportagem do VN entrou em contato com as assessorias de imprensa da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e da Polícia Federal, mas não obteve resposta de nenhuma das duas instituições.

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